quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
A agudeza da crônica
fonte:
"Esta semana conversando sobre o papel do cronista com minha amiga IVETE IRENE DOS SANTOS, colunista neste espaço, ficamos divagando sobre o porquê de escrever crônicas, e concluímos o seguinte: “escrevemos porque simplesmente queremos traduzir em palavras nossas divagações a cerca da vida”. Por isso transcrevo aqui outras reflexões nossas: Escrever trata-se de um ato de desprendimento e ao mesmo tempo de altruísmo, sem excluir o possível egocentrismo e presunção que o leitor tenha lido em “queremos”. Explico com uma indagação: E se pensarmos que ninguém vai ler? Bom, o primeiro leitor já somos nós mesmas. O ato de escrever trata-se de realização pessoal e de deleite para nós mesmos. Ter leitor não é almejar ser famoso no sentido midiático do termo, muito menos ser imortal, mas é imortalizar um pensamento, pelo menos prolongá-lo: o ápice é alcançar a empatia do leitor e não quer dizer que queremos que concorde conosco, mas que reflita conosco, -e como somos sortudas-, temos leitores, como já escrevemos antes, que mandam comentários e questões que nos fazem pensar e repensar... e então, mais que crônica ou artigo, fazemos ENSAIO sobre a vida... Mas isso já é outra história!"
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Crônica-aula: DOS SONS ÀS LETRAS DAS PALAVRAS
TREINANDO A LÍNGUA!
Dos sons às letras das palavras
Caro
leitor, nessa segunda coluna, focalizarei o assunto “fonema”, “som das letras”.
Em alguns momentos será necessário usar termos técnicos, mas traduzirei
metalinguisticamente, ou seja, utilizarei outras palavras para explicá-los.
Como prometi na coluna anterior, apresentarei como exemplos músicas, poesias,
programas, cenas de novelas... Acredito que seja importante usar os dois esteios, o tradicional e o novo- ora um
exemplo atual, popular, ora obras menos conhecidas por não estarem tão
presentes na mídia- com o objetivo de que vejamos as diferenças e ampliemos
nosso conhecimento.
Quando comecei a rascunhar o texto, ouvi, ao sintonizar
uma rádio, uma música de Belchior, relacionada indiretamente ao tema aqui
proposto. Belchior é na expressão de uma música sua: aquele "rapaz
latino-americano”. Outra música dele, Como nossos pais, ficou muito famosa
na voz de Elis Regina, e continua com letra que registra bem a realidade atual,
pois mesmo com mudanças, "ainda somos os mesmos e vivemos como os
nossos pais”. Outro trecho dessa composição soa como um trocadilho: “Não
quero lhe falar\ Meu grande amor\Das coisas que aprendi\Nos discos...”.
Interessante como nosso cérebro e nossos sentidos nos traem: até a adolescência
cantava “que aprendi nos livros”, pois para mim, até aquela época, a
aprendizagem estava associada às letras impressas. Apenas no Magistério pude
estender o conceito de leitura, conhecendo a teoria do educador Paulo Freire
suscitada na expressão "a leitura de mundo precede a leitura de
palavras". Tive também, enquanto cursava no CEFAM, Centro Específico de
Formação e Aperfeiçoamento do Magistério,
a extensão do conceito de “comunicação”, com a definição de língua como
uma forma de linguagem, portanto, uma forma de comunicação, mas não a única; há
também linguagem não verbal, ou seja, é possível ler também gestos, cores,
sons, formas, entre outros elementos que mesmo com outra função também nos
permitem comunicar.
Mas voltemos à música do Belchior e outro trecho que eu
também cantava errado: “Você pode até dizer\ Que eu estou por fora\ Ou então\
Que eu estou enganando...\ Mas é você\ Que ama o passado\ E que não vê \Que
o novo sempre vem...”. Sempre cantei
que “você que anda ultrapassado”.
Mas não são apenas as músicas que confundem os ouvidos, há exemplos clássicos
de como o uso transformou algumas palavras e expressões: "Quem tem boca
vai a Roma" é, para alguns falantes, "Quem tem boca vaia Roma";
"Cuspida e escarrada" era na verdade "Esculpida e
encarnada"; “Batatinha quando nasce...” Complete... “espalha ramas pelo chão!”
Outras expressões sofreram aglutinações na pronúncia: "em boa hora"
tornou-se "embora"; "plano alto" tornou-se
"planalto".
A
língua, sendo manifestação cultural, sofre também influência social, e não
estou me referindo apenas aos sotaques, mas à existência de certos fonemas. Por
que associamos que japonês não pronuncia "carro", com o "r"
forte? Na verdade a dificuldade em falar uma segunda
língua está na comparação com a língua materna.
Não há língua fácil ou difícil, mas diferente. Belchior, cujas
composições foram escolhidas como exemplo, tem uma música intitulada Num
país feliz, cujo trecho "E
o índio ia indo, inocente e nu\ Sem rei, sem lei, sem mais, ao som do
sol", de certa forma retoma o Tratado
descritivo do Brasil em 1587,
redigido pelo cronista Gabriel Soares de Sousa. Os portugueses
associavam a partir do seu ponto de vista cultural que os índios não tinham
lei, nem fé, nem rei, por não terem as letras\grafemas L, R e F e os sons\fonemas. Os índios não
tinham mesmo suas leis, seus reis e sua fé?
Em se
tratando de língua devem ser levadas em consideração as diferenças culturais, analisando
o contexto comunicativo. E na língua escrita, foco de próximas colunas, é
preciso não confundir "letra" com "som", pois uma letra
pode representar sons diferentes e vice-versa. Leia em voz alta essas palavras,
observando, sobretudo, as letras grifadas: "máximo","exame", tóxico", "exceto",
"xale", "chalé","zebra"...
Quem já não ficou em dúvida como escrevê-las ou pronunciá-las? Os olhos e a boca (quando não a cabeça)
também nos traem, ainda mais quando os termos são homônimos ou parônimos. Até a
próxima!
fonte: Jornal INTERATIVO/FEVEREIRO 2014 p.10
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Fábulas de Monteiro Lobato: fabulosas versões à moral.

fonte:http://www.gruposulnews.com.br/flip.php?id=196
Caros leitores, a proposta dessa coluna é continuarmos nosso passeio pelas fábulas e pelo tema literatura infantil. E não se pode pensar em literatura para crianças sem citar Monteiro Lobato. Embora ele também tenha escrito obras para adultos, como Urupês, Negrinha e O presidente negro, que ainda hoje provocam polêmicas e reflexões, há consenso, resumido na perífrase “Monteiro Lobato, pai da literatura infantil brasileira”, fazendo que se associe, inclusive, a data de seu aniversário, 18 de abril, ao dia do livro.
Como autor de literatura infantil consagrou-se por criar personagens e estórias próximas das expectativas e “necessidades” das crianças, cujas aventuras são lidas até hoje e ganham adaptações à linguagem teatral, televisiva e até cibernética.
A obra Fábulas,escrita em 1922, foco de nossa análise, é a segunda obra infantojuvenil do autor e explicita a concretização do projeto de Monteiro Lobato de tornar acessível às crianças estórias consagradas, não só pela adequação da linguagem mas por apresentar personagens com as quais as crianças se identifiquem. Em correspondência a Godofredo Rangel, escritor e amigo, podemos constatar a opinião de Lobato sobre as traduções das fábulas, consideradas por ele “apenas moitas e amora do mato-espinhentas e impenetráveis”. Com o objetivo de torná-las mais atraentes havia pensado num fabulário nosso, com bichos daqui, em vez dos exóticos e assim “vestir à nacional as velhas fábulas de Esopo e La Fontaine, em prosa e mexendo com as moralidades”.
As personagens lobatianas, aquelas já apresentadas na obra A menina do nariz arrebitado, obra anterior e inaugural de Monteiro Lobato interagem indiretamente com as personagens criadas por Esopo e La Fontaine em suas estórias. Comentei na coluna anterior que o livro Fábulas inicia-se com a comparação entre a formiga boa e a formiga má. Há metalinguagem na discussão sobre o próprio gênero transparecida no comentário de Emília sobre a inexistência de formigas más e a explicação de dona Benta dizendo que as fábulas não eram lições de História Natural, mas de Moral. A interdiscursividade, ou seja, relação entre os discursos e assuntos, ocorre pela retomada temática: várias fábulas serão figurativizações, ou seja, novas situações sobre os mesmos temas. A maneira como os textos são apresentados possibilita uma discussão sobre a cristalização de conceitos e papel da moralidade como reflexo da sociedade e como mantenedora de ideologias. A criação de versões da mesma fábula ou de textos contrastantes já propõe uma leitura crítica desse gênero literário. Emília com seus comentários, de certa forma, convida o leitor a rever conceitos já enraizados, ou pelo menos conhecer outros pontos de vista.
Fábulas é uma narrativa que pode ser lida em uma “sentada só” ou como novela literária, já que cada fábula pode ser lida separadamente. Ao apresentar suas versões de fábulas demonstrando que há pontos de vista diferentes, Monteiro Lobato suscita à liberdade de expressão e de leituras interpretativas. As personagens decidem rasgar e jogar fora as fábulas de que não gostam. Pedrinho diz que muitas são a sabedoria popular e por isso precisa de tempo para digeri-las e “se não valem de muita coisa, valem por serem curtinhas”. Na opinião de Narizinho, as fábulas são sabidíssimas, e embora preste-se atenção à fala dos animais, são as moralidades que ficam na memória. Já Emília as considera uma indireta às pessoas. Visconde, usando a retórica caracterizadora de sua personagem, teoriza que as fábulas mostram apenas duas coisas: que o mundo é dos fortes, e que o único meio de derrotar a força é a astúcia. Com esse comentário Visconde faz referência às fábulas que têm como “pano de fundo”a crítica social.
O sítio do picapau amarelo, cenário dos enredos, lugar utópico de discussões, transpassa os limites espaciais do imaginário e das páginas do livro e se concretiza na leitura, na criticidade do leitor e nas ações do sujeito que ao ler a obra e tomar conhecimento do acervo herdado decide redescobri-lo ou reinventá-lo. E assim a fábula, mais que reflexo da moralidade, como texto, provoca reflexão. Por isso tão fabulosa, como diria Millôr Fernandes, nosso próximo autor comentado.
Edição 2752 - 15 a 21 de Fevereiro de 2014 http://www.gruposulnews.com.br/flip.php?id=196 (p.12)
sábado, 1 de fevereiro de 2014
artigo FÁBULA. Além da moralidade!
Caro leitor, continuando as reflexões sobre a literatura universal e a literatura infantojuvenil, comentarei nesse artigo sobre a fábula. Sim, aquele texto que tem por principal característica animais personificados, ou seja, animais que representam as características humanas, mas não só isso. Essas considerações induzem muitas vezes classificá-la como simples textos didáticos havendo contradições e até incoerências sobre conceituações e caracterizações dos textos.
A fábula é um gênero narrativo e um tipo textual instigante e polêmico. Alguns estudiosos ressaltam a presença de moralidade, seu caráter exemplificador e, por isso, didático. Tive a oportunidade de ser aluna de Maria Valíria de Mello Vargas, estudiosa da influência da fábula indiana na fábula universal. Tive ainda a oportunidade de ser aluna e leitora de outra estudiosa do tema, e melhor ainda, autora de várias obras classificadas como literatura infantil: Maria Lúcia Pimentel de Sampaio Góes. Ela procurou detectar os diferentes tipos da fábula brasileira e acabou por chegar a uma primeira classificatória: "fábula aprendizagem", "fábula didático- moralista", "fábula admiração" e "fábula moderna". A palavra "fábula" reveste-se de significações como: "fala", "prognóstico", "narração de sucessos fingidos", "rumor do povo" e, ainda, "contos de velhas".
A fábula, como outras produções, surgiu para adultos (ou sem público definido) e foi, exatamente por seu caráter de registro de valores sociais e arquetípicos, incorporada à literatura infantil ao lado dos contos de fadas. E que textos, sendo produções culturais, não trazem os reflexos sociais, morais e ideológicos, se não explícitos, implícitos? O que acontece na fábula é que há um certo hiperbolismo (exagero). Há personagens animais que na verdade,ressaltam as características humanas que se quer destacar, daí surgem pelo processo metafórico, animais/ termos como "cordeiro", "formiga", "cigarra", tomados como "pessoa pacífica", "pessoa trabalhadeira", "pessoa despreocupada", mostrando as analogias por processos de metonímia (parte pelo todo), apresentadas nas narrativas. A fábula, tendo um tema central, apresenta-se como figurativização, ou seja, materialização de um conceito abstrato que pode ser suscitado num provérbio, explicitado no promítio ou no epimítio, ou seja, no começo e/ou no fim do texto. Por essas características, as fábulas se assemelham às parábolas, aos adágios e à alegoria para alguns teóricos são considerados gêneros afins e, para outros, sutis variações de fábulas.
A fábula é um gênero que tem se atualizado e se adaptado às mudanças sociais e culturais, por meio de reescrita, pelos processos de paráfrase, paródia, estilização, constituindo um dialogismo e uma intertextualidade com os textos anteriores, por alusão na mídia e, por fim, por sua incorporação no vocabulário ativo com expressões como "a galinha dos ovos de ouro".
Independentemente de qualquer classificação mais detalhada, a fábula é, sem dúvida, parte do imaginário cultural, bem como reflexo desses valores, já que é uma produção humana. Por isso merecerá outro artigo só para comentarmos textos, livros, novelas e filmes que recontam e polemizam as fábulas tradicionais. Até lá!
Edição 2751 - 01 a 07 de Fevereiro de 2014 http://www.gruposulnews.com.br/flip.php?id=187
sábado, 18 de janeiro de 2014
artigo Literatura infantil: só para crianças?
LITERATURA
INFANTIL. SÓ PARA CRIANÇAS?
Um
questionamento constante, seja no meio acadêmico, pedagógico, familiar e até
midiático, é sobre a adjetivação “infantil” presente na expressão “literatura
infantil”. Há muitas formas de se abordar um texto ou uma produção cultural, e
isto ocorre, por extensão, com os contos de fadas e outras produções destinadas
ao ou adotadas pelo e para o público infantil. Tema polêmico, seja no que se
refere às suas origens, seja na forma de tomá-la para estudos, seja na sua utilização:
para leitura fruição, utilização didática, artística, terapêutica. Joana
Cavalcanti, em Caminhos da literatura infantil e juvenil/dinâmicas e vivências na ação
pedagógica, resume que há
várias teorias que versam sobre os contos de fadas e suas origens.
Há pesquisas linguísticas,
sociológicas e psicanalíticas que numa perspectiva interdisciplinar ora se
polemizam, ora se complementam. Enfatizaremos, aqui, a abordagem psicanalítica,
como os contos de fadas e maravilhosos podem falar ao inconsciente. Segundo,
ainda, Cavalcanti, “a criança iniciada no mundo da leitura é alguém que pode
ampliar sua visão do outro, que pode adentrar no universo do simbólico e
construir para si uma realidade mais carregada de sentido.” Mas o mais
interessante é constatar as revisitações em obras não necessariamente para
crianças. Comentemos algumas:
O filme As mil e uma noites apresenta numa de suas cenas iniciais o
seguinte diálogo entre o contador e a Sherazade: “Essa gente fica horas só te
ouvindo”, “É que eles precisam mais de estórias que de pão, elas nos ensinam
porque viver e como viver”. Os contos respondem às inquietudes e possibilitam o
equilíbrio interior, todavia englobam a interpretação literária e literal. São
as narrativas que em As mil e uma noites libertam Shariar
e por consequência as mulheres e o povo. Shariar encontra nas narrativas a
tranqüilidade psicológica e a exemplaridade. O mesmo acontece no filme Inteligência
Artificial: a personagem
principal, um robô, encontra na história de Pinóquio inspiração e
esperanças para sua vida.
Em outra produção cinematográfica, Novo pesadelo, o retorno de Freddy Krueger, uma criança, filho da atriz que estrelara vários filmes da série A hora do pesadelo, mata o Freddy (esse filme é metalinguístico, pois tematiza que o Freddy, ficção para as personagens, na verdade era real e se alimentava dos filmes produzidos). Em várias cenas noturnas aparece a mãe contando a narrativa João e Maria. Quando começava a narrar o episódio da bruxa, a mãe sempre ameaçava parar, todavia, a criança pedia para que fosse ao fim, pois a criança precisava saber que a bruxa morreria no final. Em uma análise psicanalítica do filme, podemos considerar nessa cena a necessidade de entrar em contato com a problemática na narrativa, mas também com a solução. Segundo Amarilis Pavoni, em seu livro Os contos e os mitos no ensino: uma abordagem junguiana, “não é conveniente contar às crianças histórias cujo final não seja feliz. Elas precisam travar no inconsciente uma luta feroz, mas, para vencerem, é necessário que cumpram o ciclo: medo/ luta/ vitória, problema/ a busca da solução etc.”
O final do filme é como no conto João e Maria: a criança mata o Freddy: indo ao universo dos pesadelos e deixando as cápsulas de sonífero para que a mãe saiba o caminho. Ao entrar num depósito cheio de fornos, como Maria, se esconde ao fundo e quando Freddy entra, o menino sai correndo e o prende deixando “o monstro” morrer queimado. Freddy pode ser a simbologia do próprio inconsciente, uma vez que ele representa o temido e projeta para cada indivíduo (personagem do filme) o pesadelo que ele mais temia, subtraindo ainda as pessoas, as coisas que o indivíduo mais desejava. Matar o monstro significava libertar-se, vencer a si mesmo.
Em outra produção cinematográfica, Novo pesadelo, o retorno de Freddy Krueger, uma criança, filho da atriz que estrelara vários filmes da série A hora do pesadelo, mata o Freddy (esse filme é metalinguístico, pois tematiza que o Freddy, ficção para as personagens, na verdade era real e se alimentava dos filmes produzidos). Em várias cenas noturnas aparece a mãe contando a narrativa João e Maria. Quando começava a narrar o episódio da bruxa, a mãe sempre ameaçava parar, todavia, a criança pedia para que fosse ao fim, pois a criança precisava saber que a bruxa morreria no final. Em uma análise psicanalítica do filme, podemos considerar nessa cena a necessidade de entrar em contato com a problemática na narrativa, mas também com a solução. Segundo Amarilis Pavoni, em seu livro Os contos e os mitos no ensino: uma abordagem junguiana, “não é conveniente contar às crianças histórias cujo final não seja feliz. Elas precisam travar no inconsciente uma luta feroz, mas, para vencerem, é necessário que cumpram o ciclo: medo/ luta/ vitória, problema/ a busca da solução etc.”
O final do filme é como no conto João e Maria: a criança mata o Freddy: indo ao universo dos pesadelos e deixando as cápsulas de sonífero para que a mãe saiba o caminho. Ao entrar num depósito cheio de fornos, como Maria, se esconde ao fundo e quando Freddy entra, o menino sai correndo e o prende deixando “o monstro” morrer queimado. Freddy pode ser a simbologia do próprio inconsciente, uma vez que ele representa o temido e projeta para cada indivíduo (personagem do filme) o pesadelo que ele mais temia, subtraindo ainda as pessoas, as coisas que o indivíduo mais desejava. Matar o monstro significava libertar-se, vencer a si mesmo.
Vencer os desafios, ajudados ou não,
é uma temática presente em várias narrativas clássicas. Talvez por isso
(hipótese para outros artigos) alguns textos bíblicos tenham virado estórias e
livros, que lidos mesmo sem o cunho religioso, falam ao indivíduo
fortalecendo-o para sua caminhada existencial. Continuemos!
Edição 2749 - 18 a 24 de Janeiro de 2014 http://www.gruposulnews.com.br/flip.php?id=179
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
ANO NOVO, COLUNA NOVA. jornal interATIVO.
Jornal Interativo, Edição de Janeiro 2014.
ANO NOVO! COLUNA NOVA!
Saiba mais sobre a língua!
Caro leitor do jornal INTERATIVO,
possivelmente, ao folhear o jornal, você já tenha notado a existência desta nova
coluna. Ano novo, coluna nova! Aproveito para renovar os votos de um Feliz
2014!
Gostaria de me apresentar: sou Ivete Irene dos Santos e, além de leitora do
jornal, sou professora de língua, literatura e redação, e a exemplo de
escritores e educadores colunistas de outros jornais e revistas quero,
humildemente, compartilhar dúvidas e conhecimentos sobre a Língua Portuguesa.
Mesmo sendo a nossa língua pátria, com a qual nos
comunicamos com amigos, com nossos familiares, a qual utilizamos no meio
profissional, quantas vezes não ficamos inseguros sobre a correção ou a
adequação do que estamos falando ou escrevendo?
A coluna não será uma aula formal, será uma conversa
na qual serão apresentadas dicas práticas e reflexões a partir de situações do
cotidiano, com exemplos de trechos de músicas, de propagandas, de poesias, de
frases de caminhões, de placas, de trechos de novelas, de “palavras que estão
na boca do povo” e até mesmo de dúvidas enviadas pelos leitores, por e-mail.
Que tal começarmos
nossa reflexão? Utilizei no segundo parágrafo o termo “língua”, mas
outra palavra que será muito utilizada será “linguagem”. São sinônimas?
“Linguagem” é um termo mais abrangente, corresponde a
todo sistema de sinais que é utilizado como elemento de comunicação, mesmo que
inicialmente não tenha sido criado para essa função: uma cor em um semáforo, um
gesto, um símbolo na porta de um banheiro e até mesmo uma roupa... Por exemplo,
alguém vestido de branco proporciona as seguintes hipóteses: pode ser um
médico, dentista, cabeleireiro, enfermeiro, babá, cuidador de idosos... Se for
primeiro de janeiro, o branco pode ser uma referência à paz ou ao réveillon.
“Língua” é uma linguagem verbal. “Verbal” é, nesse
contexto, sinônimo de “palavra”. Assim como a linguagem pode ser
subclassificada em linguagem verbal ou
não-verbal, a língua tem subclassificações e variações. Essas variações
serão o tema da próxima coluna. Encontramo-nos! Até lá!
Contatos: www.ivetando.pro.br
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Crônica PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES
Edição 2747 - 20 de Dezembro de 2013 a 10 de Janeiro de 2014
http://www.gruposulnews.com.br/flip.php?id=171 (página 14)
Apresentarei, marcadamente nesta crônica, dois elementos
discursivos: a intertextualidade, proposta já no título, alusão à música de
Geraldo Vandré (como também na evocação de crônicas publicadas aqui por mim e
pela professora Daniella Barbosa), e a digressão.
Fuga do tema no início da crônica? Você, caro leitor, deve
estar pensando que há outro item implícito a ser discutido: “(in)coerência”.
Não há, é que nas duas últimas crônicas prometi retomar, na sequência, os temas
“internet”, “cartas”, “a importância da língua portuguesa no contexto
profissional”, mas não os retomarei ainda: eis minha primeira digressão nesta
crônica.
Muitos escritores textualizam em suas produções: “a
literatura inspira a vida e a vida inspira a literatura”. Às vezes parece que
as personagens ganham vida própria e escrevem o enredo. Alguns livros como Um sopro de vida, de Clarice Lispector; Quem eu?. de José Paulo Paes, e
mesmo o poema Autopsicografia, de
Fernando Pessoa, entre outros, marcaram minha trajetória de leitora
por tematizarem o processo de criação e a intersecção do que é real ou ficção.
Bom, mas afinal - você deve estar me questionando - qual será o tema
desta crônica? Passemos a ele, passemos à minha inspiração.
Devido ao fim de ano, é comum que façamos uma reflexão sobre
a nossa vida e uma metáfora constante nos discursos é “colheita”. Como
admiradora de textos alegóricos como as fábulas, apólogos, parábolas, tenho
sempre me lembrado da Parábola do
semeador. Associada ao contexto religioso, a colheita pode metaforizar a
própria vida. Entre várias leituras possíveis, faço uma: o ser humano como
semeador deve sim semear boas sementes, mas não quer dizer, por acreditarmos
que estamos fazendo boas semeaduras, que a colheita será boa. Como criamos
muitas expectativas nas diversas relações humanas, essa parábola isenta-nos da
cobrança, pois o solo é o outro, e cada um terá uma recepção diferente. Por
isso em uma relação recíproca com a vida, as perguntas deveriam ser: “Que
semeador tenho sido?” ,“Que sementes tenho jogado?”, “Que solo tenho sido?”. Adoro os quiasmos (segundo o dicionário Houaiss, “disposição cruzada da ordem
das partes simétricas de duas frases, de modo que formem uma antítese ou um
paralelo”) e as relações entre um pensamento e outro, por isso cito aqui uma
construção constantemente repetida: “Que mundo temos deixado para os filhos?
Que filhos temos deixado para o mundo?”
Quero um mundo melhor? O
que tenho feito para torná-lo melhor? Às vezes temos grandes planos, obras
homéricas, mas muitas vezes são as pequenas ações do cotidiano que podem
ocasionar mudanças. Por isso, pensando no tema “semeadura”, de forma
metafórica, literal e literária, penso numa moradora da rua Monte Frio, que há
anos tem florido nosso bairro. Poderia usar uma expressão alegórica para
resumir sua ação: “um trabalho de formiguinha!”, mas prefiro parodiar: “É um
trabalho de abelha, de beija-flor... ou de jardineira!”. Marlene das flores,
quantas árvores não forem plantadas por ela? Quantas flores ela semeou? Muitos,
envolvidos pela ação dela, passaram a cuidar do seu jardim.
Outro dia
assistindo à série Verdejando, da
Rede Globo, conscientizei-me de alguns
privilégios e ironias, na Vila Natal, bairro cujas ruas têm nome de flores, há
poucas árvores frutíferas. Porém, geograficamente considerando, nós moradores
de Interlagos temos sorte de estarmos em um ambiente visualmente cercado pelas
represas e pela mata ciliar. Mas, reiterando, o que cada um de nós tem
semeado? Queremos um mundo verde, mas
somos incapazes de aceitar que em nosso quintal tenha terra, para não sujar a
nossa casa. Queremos mesmo um mundo florido, metafórica e literalmente? Então, imbuídos do sentimento de Natal e da
possibilidade de recomeço pelo novo ano, semeemos... para que a vida - como sugere outra música, de Milton Nascimento - “nos dê flores e frutos!”
sábado, 30 de novembro de 2013
Crônica Cartas em tempo de internet
Caro
leitor, há quanto tempo você não escreve uma carta? Se você tiver menos de vinte anos de
idade, talvez a sua última experiência tenha sido na escola.
A pesquisadora Solange Barros,
integrante do Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos tem divulgado em suas palestras
e materiais produzidos - como os dois livros De bem com a Internet e O uso legal da Internet, disponíveis no
link http://www.mackenzie.br/leeme.html - que as crianças conhecem as cartas em experiências práticas na escola: levam
envelopes, escrevem a carta e endereçam-na a um destinatário, portam-se como
remetentes. Escrevem, às vezes, neste contexto, como única experiência e como
uma experiência única.
Temo, refletindo sobre o tema,
que para os nascidos já na época da democratização da internet, e-mails, redes
sociais, a carta exista apenas como produção do passado e referência linguística em “correio
eletrônico”.
Sobre os usuários das tecnologias
já há terminologias específicas: os “nativos digitais”, os que nascidos na
época do predomínio dessa tecnologia a dominam; os “migrantes digitais”,
geração nascida com predomínio de outras tecnologias, mas que fazem uso do
computador, da internet; e há aqueles que são alheios a ela: os “estrangeiros digitais”. Considero-me uma migrante digital e procuro
fazer os bons usos das tecnologias (tema que abordarei em outro artigo)
preconizados pelos educadores, filósofos, comunicólogos, psicológicos.
Penso
que as redes sociais podem aproximar pessoas e auxiliar na comunicação, mas
também pondero com o filósofo Mario Sergio Cortella: elas unem o que antes não estava
separado. Não sou negativista, nem
apocalíptica, nem saudosista: degusto e presentifico, nessa migração, os
recursos anteriores carregados de poeticidade e carinho. Há anos, em um pacto,
sobretudo comigo mesma, disciplinei-me a escrever cartas. Tenho uma afilhada
que faz aniversário na mesma data em que eu faço e, desde que ela aprendeu a
escrever, começamos a trocar correspondências para nos felicitarmos. Isso
começou porque cinco anos atrás a internet em Picos, Piauí, onde ela reside, não
era tão acessível.
Agora,
final de ano, sou motivada a escrever
pelas trocas de cartão, pelo agradecimento aos leitores que enviam
cartas ou livros, pela escrita de cartas reflexivas sobre o ano
que passou e pelos planos para o ano que
começa. Diariamente, correspondo-me com afilhados e amigos usando a internet, mas tento manter o hábito das velhas
e boas correspondências, como registrei, pelo prazer e carinho envolvidos no
processo.
Para
quem tem a informação em um click, hoje,
a demora - dias ou semanas - para uma carta chegar parece uma eternidade. Inacreditável
que, há pouco tempo, essa espera era normal e aceitável, pois era o mais rápido
que podia ser. Escrevo a carta e tenho que guardar segredo de mim mesma e do
destinatário, ou brincar de suspense, pois enquanto a carta viaja, continuo me
comunicando por e-mails, redes
sociais, telefones...
Por isso
mesmo o ato de escrever cartas faz com que as pessoas "pratiquem"
outras habilidades, como, por exemplo, a paciência e o controle da ansiedade
até mesmo para abrir o envelope.
Esse
carinho transpassa a relação entre remetente e destinatário. Tornei-me amiga do
carteiro da rua Contos Amazônicos, o Marcos.
Ele sabe de cor o nome dos moradores e, como nós, alegra-se com a
entrega de correspondências: quando às vezes o encontro ainda distante de minha
rua, questiono “Hoje há mais que contas?” E ele antecipa: “Sim, hoje receberá
uma carta!”
Voltemos, então, à pergunta
inicial: há quanto tempo não
escreve de forma tradicional? Escrita
em papel, preenchimento do envelope com remetente e destinatário? Ida ao
correio?
EM
TEMPO: Continuarei essa temática na próxima edição, pois há muito para tratarmos
sobre cartas, cartões, internet... Retomarei, também, o texto anterior, A
importância da língua portuguesa no contexto profissional, pois deixei
erros: “Ler jornais de textos anteriores revelaM”, “... às vezes é possível conversar com
pessoas com idades diferente( )” e “...como terá passado na seleção, em meio HÁ
tantos concorrentes?”
. Você percebeu? Precisarei de outro artigo para explicações. Até lá!
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FALAR NEM SEMPRE É PRECISO! Prometi não falar de política, e não vou falar. Meu foco serão algumas expressões e...
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À AMIGA De repente estava ali Fazendo parte da minha vida Como são os amigos, sorrateiros, envolventes Furtam, com a permissão de deus, a...
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Entre um mau dia e um boa-noite, uma crônica Numa dessas noites, quando começava adormecer, o telefone tocou. Atendi-o em estado de son...
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Ainda sobre letras e melodias: vogais. Quando questionado quantas vogais temos no alfabeto é comum dizer cinco. Há...





